Cherreads

Chapter 2 - Capítulo 2

A cidade se afogava em sangue.

Desde a explosão que matou Ethan McAllister, Hipton mergulhou no caos. A morte de um chefe de polícia já era rara, mas o assassinato brutal de alguém tão respeitado soava como uma declaração de guerra.

E a cidade respondeu.

Na delegacia, o telefone não parava. Assaltos à mão armada, tiroteios em becos, lojas incendiadas. A polícia já tinha dificuldades para conter a criminalidade antes. Agora, parecia que os criminosos sabiam que estavam no comando.

Para Ryan Dawson, tudo isso significava uma coisa: os responsáveis pela morte de Ethan continuavam soltos.

E enquanto estivessem soltos, ninguém estaria seguro.

— Dawson.

A voz do capitão Holden Briggs trouxe Ryan de volta. Ele piscou e viu o homem ao lado da mesa, já sabendo que não seria boa notícia.

— Você está fora da investigação sobre a morte do McAllister.

O sangue de Ryan ferveu.

— Você não pode estar falando sério.

— Você me ouviu. — Briggs soltou um suspiro cansado. — Você está emocionalmente envolvido, e não preciso de um policial obcecado por vingança estragando tudo.

Ryan se levantou tão rápido que a cadeira tombou.

— Acha que eu vou ficar parado enquanto o desgraçado que matou Ethan continua solto?

— Se continuar assim, vai acabar no mesmo lugar que ele.

Eles ficaram em silêncio por um instante. Tudo na delegacia seguia em frenesi, mas ali dentro o ar parecia suspenso

— Pegue alguns dias, Ryan — Briggs disse, por fim. — Lide com isso antes que isso acabe com você.

Mas Ryan já sabia.

Não havia mais nada dentro dele para ser destruído.

Enquanto a polícia tentava conter o caos, as ruas de Hipton mudavam de mãos.

No escuro de um galpão industrial, Leprechaun acendeu um charuto com um isqueiro dourado e observou seu plano tomar forma.

À frente, os antigos capangas de Alberto Grotto estavam ajoelhados e algemados. Homens que juraram lealdade ao chefão agora viam sua organização ruir.

Leprechaun caminhou entre eles, com um sorriso preguiçoso.

— O velho Grotto sempre dizia que era o rei dessa cidade. Mas sabem qual o problema dos reis?

Ele se abaixou diante de um dos homens e esmagou o charuto aceso contra sua mão, ignorando os gritos.

— Eles sempre caem.

Alguns fecharam os olhos, prontos para a execução.

Mas Leprechaun deu um passo atrás e abriu os braços.

— Não sou um tirano, rapazes. Se quiserem trabalhar pra mim, até sou generoso. Mas, se quiserem continuar fiéis a um rei caído…

Ele pegou uma pistola e apontou para um deles.

BANG.

O silêncio que seguiu era denso. O cheiro de pólvora e sangue se misturava ao mofo do galpão.

Os sobreviventes engoliram em seco e abaixaram as cabeças.

Leprechaun sorriu.

— Agora sim.

Tomar o império de Grotto não bastava. Ele precisava garantir que todos entendessem quem mandava.

E para isso queria um golpe forte, algo que sacudisse a cidade até os alicerces.

Ryan dirigia sem rumo, as luzes da cidade passando borradas no vidro. Hipton nunca estivera tão fora de controle.

— Três delegacias atacadas.

— Cinco caixas eletrônicos explodidos.

— Duas lojas incendiadas.

Era como se ninguém fosse impedir os criminosos.

O rádio chiou.

— Ataque em andamento na 7ª Avenida, vários homens armados, oficiais sob fogo.

O local era um inferno. Viaturas queimando, policiais feridos, criminosos atirando dos prédios abandonados.

Ryan saiu do carro com a arma em mãos e entrou direto no combate.

— Dawson, recua! — gritou um policial próximo.

Mas Ryan não recuava.

Ele correu entre carros destruídos, disparando contra os atiradores enquanto o coração batia como um tambor.

— Abaixem as armas! — ele gritou, mas sabia que ninguém obedeceria.

Um dos homens correu para um beco. Ryan o perseguiu entre destroços, desviando de balas.

Ao alcançá-lo, agarrou-o pela gola e o empurrou contra a parede.

— Quem mandou vocês?

— Hipton não pertence mais a vocês. Leprechaun é o novo rei dessa cidade.

Ryan o soltou. O homem escorregou até ficar de joelhos, rindo com sangue no canto da boca. Havia um brilho quase triunfante em seus olhos, como se conhecesse o fim da história.

— Vocês já perderam — ele sussurrou, cuspindo ao lado do joelho.

Ryan cerrou os punhos, lutando contra o impulso de derrubá-lo. Sirenes ecoavam ao longe, aproximando-se.

Outro policial entrou no beco, avaliou a cena e se abaixou para algemar o criminoso.

— Pegamos ele? — perguntou, ofegante.

Ryan não respondeu. O olhar preso naquele sorriso debochado que parecia um aviso.

Algo maior estava por vir.

O caos só estava começando.

O telefone vibrou. Era Amelia Harper, a prefeita.

— Dawson, preciso de você na prefeitura. Agora.

A sala da prefeita parecia um oásis de ordem no meio do colapso.

Amelia Harper estava diante da janela, encarando a cidade como se pudesse mantê-la unida pela força do pensamento.

— A cidade está caindo, Dawson. Você sabe disso.

— Não precisa me lembrar.

Ela se virou, o olhar firme.

— Prender Grotto não resolveu nada. O crime é um câncer em Hipton. Para derrotá-lo, precisamos de algo mais.

Ryan franziu a testa.

— Do que está falando?

Ela hesitou por um momento antes de suspirar.

— A Astra Corporation tem algo que pode nos ajudar.

O nome pesou no ar.

Astra Corporation, uma das maiores empresas do Canadá, poderosa e envolta em mistério.

Preciso que venha comigo, ela disse. E quero que mantenha a mente aberta pro que vai ver.

— Preciso que venha comigo — ela disse. — E quero que mantenha a mente aberta pro que vai ver.

— E se eu não aceitar?

Ela sorriu com cansaço.

— Então pode continuar lutando essa guerra sozinho… e perder.

Ryan olhou pela janela. As sirenes, o fogo, o caos devorando a cidade.

Sem mais perguntas, decidiu aceitar a proposta.

O que quer que estivesse esperando por ele…

Mudaria tudo.

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