(Olá amores, espero que estejam bem. Essa história é uma de queima lenta com capítulos longos. Gosto da intensidade e da construção da emoção e do desejo. Vocês vão amar. Então apenas sigam em frente .beijos da autora)
EMA
Algumas pessoas entram em um lugar.
Outras tomam o lugar para si.
Eu nunca fui do tipo que pede espaço.
Eu tomo.
Desligo o motor do carro e fico alguns segundos olhando para o painel escuro diante de mim. A cidade já está acordada, barulhenta, impaciente, cheia de gente correndo para empregos que provavelmente odeiam.
Eu não odeio o meu.
Na verdade…
eu sou muito boa nele.
Pego meus óculos escuros no console e os coloco antes de sair do carro. Não é vaiidade.
É estratégia.
As pessoas ficam desconfortáveis quando não conseguem ver seus olhos.
E pessoas desconfortáveis cometem erros.
Abro a porta do carro.
O salto toca o asfalto.
Toc
Toc
Toc
O ar da manhã tem aquele cheiro metálico de cidade grande acordando. Carros, vozes, passos apressados.
Algumas pessoas olham.
Outras fingem que não.
Eu percebo todas.
Anos em tribunais ensinam duas coisas muito importantes:
observar…e nunca parecer intimidada.
Meu terno preto está perfeitamente ajustado ao corpo. Camisa branca impecável. Cabelo preso em um coque baixo elegante.
Helena costuma dizer que eu pareço perigosamente elegante.
Perfeito.
Esse é exatamente o efeito que eu quero causar.
Caminho até o prédio sem pressa.
Quem anda rápido demais geralmente está tentando provar alguma coisa.
Eu não preciso provar nada.
Entro no saguão.
A segurança da recepção imediatamente endireita a postura.
— Bom dia, doutora Laurent.
Tiro os óculos devagar.
— Bom dia.
Ele sorri.
As pessoas costumam ser educadas comigo.
Não por simpatia.
Mas porque já ouvi histórias.
O elevador chega.
Décimo segundo andar.
Quando as portas se abrem, o escritório já está em movimento. Telefones tocando, assistentes andando de um lado para o outro, computadores ligados antes mesmo do café terminar de fazer efeito.
Mas quando eu entro…
o ritmo muda.
Não para.
Mas se ajusta.
— Bom dia, doutora — diz Helena, levantando de sua mesa.
Helena trabalha comigo há anos.
Ela já me viu destruir promotores arrogantes, executivos mentirosos e um político que saiu de um tribunal com a confiança enterrada seis palmas abaixo da terra. Até hoje ele não me encara.
Ela sabe reconhecer meu humor.
E pelo jeito que eu vejo agora…
Sim.
Alguém vai sofrer hoje.
— O senhor Duarte chegou cedo — ela informa.
Tire os óculos e coloque na bolsa
— Quanto tempo ele está esperando?
— Vinte minutos.– diz soltando o ar pelo nariz.
Ergo uma sobrancelha.
— Ótimo.– ele deve estar mesmo com pressa..
Helena inclina a cabeça.
— Ele parece irritado.
Dou de ombros.
— Que pena, pra ele
Começo a caminhar pelo corredor.
Tac. Tac. Tac.
— Ele contou a verdade dessa vez? — falo enquanto ando.
Helena solta um pequeno riso.
— dificilmente.
Suspiro.
— Homens como ele têm uma habilidade impressionante de contar apenas metade da verdade.
Acham que isso é suficiente.
Não é. Odeio ser surpreendida.
Paro diante da porta do meu escritório.
Puxo o ar uma vez.
Então entro.
Ricardo Duarte está sentado na cadeira diante da minha mesa.
Grande.
Relógio caro demais para alguém que está claramente desesperado.
E uma barriga de alguém que simplesmente passa mais tempo em bares e restaurantes caros do que em uma academia. Disciplina zero.
Ele se levanta assim que me vê.
— Finalmente.–fala arrogante.
Fecho a porta atrás de mim com calma.
— Senhor Duarte, bom dia!
Caminho até a mesa e me sento.
Cruzo as pernas.
Observando.
Estudando.
Ele está tenso.
Levemente suado.
Os dedos batendo no braço da cadeira.
Interessante.
Pessoas inocentes não costumam ficar assustadas.
Pessoas culpadas…
ficam defensivas.
— Estou pagando caro por esse serviço, doutora.– lenvanta uma sa sombracelhas enquanto fala.
Encosto as costas toda na cadeira e ponho um dos braços no apoio. Olhando para ele.
— E eu estou cobrando caro porque faço meu trabalho.
Ele se inclina para frente.
— Então talvez você deva começar.
Fico em silêncio. Sem expressão. Apenas olhando-o.
O silêncio se torna longo o suficiente para deixá-lo desconfortável.
Silêncio é uma arma.
As pessoas sentem necessidade de preenchê-lo.
então digo:
— Vamos falar do engenheiro que caiu da sua obra.
O rosto dele endurece.
Os dedos param de bater.
Ah. Ele achou que era esperto.
Mas está ali.
Uma reação.
— Foi um acidente — ele respondeu rápido demais.
— Escorregou. Estava sem equipamento de segurança. Essas coisas acontecem.– falou voltando pra trás no assento.
Fico olhando para ele.
Em silêncio.
Pensando apenas uma coisa:
Ele realmente acha que sou idiota.
Abro a pasta sobre a mesa.
— Fernando Alencar.
Deslizo uma foto.
— Engenheiro chefe da obra.
Outra folha.
— Quinze anos de experiência.
Mais uma.
— Histórico impecável de segurança.
Olho diretamente para ele. com falsa dúvida.
— E de repente ele sobe dezessete andares de um prédio em construção…
Faço uma pausa ainda olhando firme para ele.
— …sem equipamento.
Ricardo respira fundo.
— Foi um acidente, já isse.– fala por fim e vira a cabeça e na direção da janela.
Inclino levemente a cabeça.
— Interessante.— falo Folheando os documentos.– Porque segundo três funcionários…
Levanto o olhar.
— …ele estava discutindo com dois homens da segurança uma hora antes da queda.
O silencioso pesado no ar.
Ricardo abre a mandíbula e me olha.
— funcionários mentem.
Claro que mentem.
Principalmente quando alguém paga para mentirem.
Cruze os braços. E solto o ar.
— Vamos tentar de novo.
Ele me encara.
— Eu já expliquei. —fala se exasperando.
— Não — respondo calmamente. Mas já sentindo a raiva por dentro — Você inventou.
Ele se levanta devagar.
Tentando parecer maior.
Mais ameaçador.
— Eu sou um homem muito poderoso, doutora Laurent.
Sim, claro. Ele acha que é. Mal sabe ele que é só um peixe tentando nadar entre tubarões.
Eu rio.
Baixo.
Sem humor.
Também me levanto.
Mas diferente dele, não estou tentando intimidar.
Eu simplesmente sou.
Apoio as mãos na mesa e inclino o corpo levemente pra frente
— Eu defendo assassinos. –o olho de forma cortante— Traficantes, Gente que já fez coisas que fariam você vomitar.
Inclino a cabeça.
— Você realmente acha que um empresário de meia-idade com medo da polícia pode me intimidar?
Ele fica em silêncio.
Respiração pesada.
Continuo.
— Vou explicar algo para você. Algo óbvio.
Minha voz agora está mais baixa.
Mais fria.
— Se você continuar mentindo para mim…
Bato levemente na pasta.
— …eu não posso te defender. E se eu não puder te defender…
Inclino a cabeça.
— Você vai para a prisão.
Deixo a frase cair no silêncio.
Pesada.
Irreversível.
— Investigação criminal.
— Perícia reabrindo o caso.
— Testemunhas falando.
— Imprensa farejando sangue.
Me inclino um pouco mais sobre a mesa.
— Quer saber o que vai acontecer depois?
Ele não responde.
Mas os olhos dele dizem tudo.
Medo.
— Sua empresa quebra.
— Seu nome vira lixo
— E quando a promotoria decidir que aquilo não foi acident …você vira suspeito de homicídio.
O silêncio que segue é brutal.
então digo:
— Agora vamos tentar de novo.
Sento Cruzando as pernas.
Calma.
Elegante.
Sem controle.
— O que realmente aconteceu?
Ricardo Duarte finalmente desvia o olhar.
E nesse momento eu sei.
Ele vai quebrar.
Porque os homens como ele sempre quebram.
É só questão de tempo.
E quando isso acontece…
eu vou descobrir toda a verdade.
Mesmo que ele tente escondê-la até o último segundo.
