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A Song of Bond and Blood; Book 1: The Song of the New World

Angelo_D_Silva
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Synopsis
"Every world weaves its own melody, just as every bird upon the wing." ATOS NEVER TRULY KNEW WHERE HE BELONGED. Between the end of high school and the nagging feeling of being a step behind everyone else, only one thing was certain: a part of him craved something different, even if he didn't know what that meant. But when his life in Maranhão turned to dust before a mysterious light, and his entire class was torn from reality into a world where magic is as common as the breeze, that uncertainty became an open wound. Nothing there resembled the familiar song of his own world; it was as if the very air carried a different melody, calling his name, demanding an answer he never found at home. Now, as his friends cling to the hope of returning and learn to mold themselves to this new reality, Atos struggles to understand why, of all people, he is the one who knows his heart the least. Through every mission and every brush with death, he discovers that the doubt he carried in school walks beside him still, tireless. To survive and protect those he loves, he must first find himself—or face the silence of a past he always tried to ignore.
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Chapter 1 - – A Song of Bond and Blood Book 1: The Song of the New World –

– Prólogo –

A brisa fria da manhã ainda soprava levemente entre as colinas, carregando o aroma úmido do orvalho recém-nascido. Junto com ela, os primeiros raios dourados do sol começavam a se espalhar pelo horizonte, alcançando aquela pele enrugada e curtida pelo tempo, que já não reagia como antes. Ele apertou o grosso casaco de lã marrom — tecido nas fazendas de Kingscythe, agora gasto e desfiado em alguns pontos — contra o corpo. Era isso ou enfrentar os velhos "calafrios matinais" que sempre o acompanhavam nos primeiros minutos do dia. Enquanto caminhava, fragmentos de um tempo distante passaram pela sua memória: um corpo jovem e firme, capaz de suportar os ventos gelados da Região Norte sem tremer, mesmo sem capa. Como sinto falta de estar no auge da forma... pensou, quase rindo de si mesmo.

— Tabur — chamou aquela voz familiar, doce em sua essência, mas com um toque de mau humor adquirido ao longo de anos de convivência. A voz era forte, embora ainda rouca por causa do sono recente. — Honestamente... em todos esses anos ao seu lado, raramente questionei o que você faz ou deixa de fazer. Mas agora estou começando a achar que você está ficando senil. — O tom parecia áspero, mas em seus olhos havia genuína preocupação.

Bem, e por um bom motivo.

Não foi fácil convencer uma mulher de sessenta e sete anos, envolta em couro forrado com lã grossa, a abandonar a cama no meio da noite porque o marido tivera um sonho profético. Um sonho em que se dizia que ambos deveriam caminhar até um campo específico, longe dos arredores da cidade... e esperar. Apenas esperar. Ele também teria duvidado da própria sanidade.

— Não se engane, minha querida e bela esposa — respondeu Tabur, com a voz ligeiramente rouca, e um sorriso que escondia o cansaço e algumas notas de sarcasmo. — Posso não ter mais cabelo suficiente na cabeça para justificar um pente, mas minha mente ainda funciona perfeitamente. Sei que você se apaixonou pelos meus belos músculos na nossa juventude, mas garanto que, mesmo sem eles, continuo sendo o mesmo Tabur Bôliver de sempre. — Tentou argumentar, na esperança de tranquilizar a mulher com quem compartilhava a cama e a vida.

— Por mais que eu quisesse, não estou brincando — ela suspirou. — Não sei que tipo de entidade falou com você, mas nunca vi você levar um sonho tão a sério — nenhum sonho, aliás. Se não for a velhice batendo à porta dos seus pensamentos, temo pelo que nos aguarda. — Seus lábios se comprimiram e seus olhos se estreitaram enquanto ela acrescentava em voz quase baixa: — E você nem tinha tantos músculos assim.

Ele deu uma gargalhada — uma risada rouca, bela em sua sinceridade, mas desgastada pela idade. — Sua honestidade é comovente, esposa.

Ele desejava poder contar tudo a ela, de verdade. Mas sabia que a única coisa com que podia contar era a confiança de Stael — não a mesma Stael Tonnister que conhecera e com quem se casara anos atrás, mais anos do que conseguia se lembrar, mas a Stael Bôliver com quem vivia hoje, já conhecendo cada defeito, cada falha e as poucas virtudes dela.

A caminhada continuou por mais alguns instantes, agora em silêncio. Tabur tentava manter a compostura, mas não conseguia; a tensão crescia em seu peito à medida que se aproximavam do local onde o evento se desenrolaria. À frente, o vasto campo já se estendia como um mar: um imenso tapete verde, vibrante, típico desta época do ano nas Terras Ocidentais. O horizonte aberto era iluminado pelo sol, que já começava a despontar. Ainda era cedo e o dia clareava, mas em seu coração, a escuridão do nervosismo o fazia sentir o suor umedecendo suas mãos e pés — não o suor do cansaço da caminhada, mas algo que se assemelhava ao medo. Não o medo da morte, mas o medo daquilo que muda tudo. Pois ele sabia. Mesmo sem compreender, ele sabia: o que quer que viesse dali não mudaria apenas sua vida, nem apenas a de Stael, nem apenas a cidade onde viviam. Seria o continente... talvez o mundo inteiro.

— Vamos demorar muito mais? — perguntou Stael, tentando disfarçar sua inquietação com um toque de humor. — Meu corpo não está gostando nada dessa aventura.

Ele conhecia aquela máscara de inquietação em sua esposa melhor do que ninguém. Como o homem que vivia ao seu lado, Tabur sabia que por trás daqueles belos olhos verde-claros — brilhando como esmeraldas ao amanhecer — e daqueles cabelos grisalhos e lisos que reluziam mais que as estrelas, ligeiramente despenteados pela hora, havia uma grande apreensão. Ele percebeu que não podia mais permanecer em silêncio.

— Não falta muito, Stael. A visão mostrou o sol tocando a grama exatamente assim, em um campo bem verde. Sim, deve ser aqui — disse ele, mas sua própria voz denunciou o tremor que começava a surgir.

Tudo ali parecia mais vivo, mais vívido do que qualquer paisagem que ele já tivesse observado. A brisa parecia mais fresca, os raios de sol pareciam queimar com mais intensidade, a grama parecia mais verde e as árvores ao redor daquele campo pareciam ainda mais vivas naquela pequena floresta. E então, o vento começou a soprar com mais força. A grama parecia ondular como água viva. As árvores ao redor — tortas, irregulares, antigas — pareciam observar.

"Tem alguém aqui", pensou Tabur, astutamente.

Não havia ninguém à vista, é claro, mas os anos de experiência de Tabur como um grande guerreiro haviam aguçado seus sentidos e percepções como os de um falcão. Ele podia sentir uma presença — uma presença familiar. Em meio àquela quietude, com apenas o canto dos pássaros e o som da brisa suave, um olhar ao redor o fez perceber que não estava sozinho com sua esposa. E seu instinto nunca falhava.

— Tabur… — murmurou Stael. Ela também sentira isso. Não era surpresa; afinal, ela era sua igual como guerreira.

— Sim, eu sei. Fique perto de mim. — Sua voz soava baixa e grave. A mesma voz que ele usara apenas quando encarava a morte naquelas poucas vezes em sua vida. Ele sentia em cada fibra do seu ser que a situação exigia cautela acima de tudo.

O ar mudou.

E num piscar de olhos, o vento aumentou. Um vendaval em forma de funil começou a se formar no centro do campo: crescendo, girando, puxando o ar, a luz, o som.

Tabur protegeu Stael com sua capa, amparando-a do impacto, como seu instinto lhe ditava. O vendaval aumentou, forte demais para ser apenas vento. Tabur sentiu o chão vibrar sob seus pés calejados. Não era um tremor comum. Era como se algo, adormecido há muito tempo, estivesse despertando.

Do centro do vento, uma luz amarelada começou a pulsar. Calor, vibração — como se algo estivesse prestes a nascer ou a irromper no mundo.

O tempo, que por um segundo havia parado, pareceu se esticar e se afinar. Longo e breve. Infinito e imediato.

— Então… é assim que termina? — Tabur murmurou em voz alta, sem saber se estava perguntando a si mesmo, à sua esposa, ao vento ou à promessa que seguia.

A luz respondeu...