Página 1 O Início Frio
Rio de Janeiro.
Narrador
"No coração de uma cidade que ferve sob o sol, o silêncio aqui dentro é tão frio quanto o aço cirúrgico. "
Um laboratório de alta tecnologia.
Ambiente frio, estéril, com tons de azul e metal. Equipamentos genéticos de ponta, monitores exibindo sequenciamento de DNA e, em destaque, uma grande jaula de vidro.
Dentro da jaula, uma preguiça-real conectada a tubos e sensores.
No centro do laboratório, de costas, o Dr. Marcos Cruz — um homem de jaleco branco, cuja postura exalava controle e intelectualidade.
Brasília.
Onde o destino de milhões é decidido em salas frias, sob o eco dos próprios passos no mármore.
Mauro Magnus ajeitava o nó de uma gravata caríssima.
Estava em uma sala de reuniões luxuosa, com a cadeira presidencial do Brasil visível ao fundo através de uma janela.
A expressão dele era de leve contrariedade, como se a reunião não tivesse saído cem por cento como esperado.
Agora no corredor caminhado em direção a saída, já com o celular no ouvido, seu rosto mostrava uma impaciência contida.
A máscara de bilionário educado quase caindo.
— E então, qual o panorama do projeto?
Sabe que o acordo não avança sem a sua entrega. Pare de me testar.
- Quero os resultados em minha mesa. Para ontem, se é que me entende.
Após deixar as instalações superiores do prédio.
No subsolo do prédio, a luz fraca do estacionamento realçava a preocupação em seu rosto.
Dentro de sua limusine preta.
Ele não era mais o empresário polido. Era um homem sob pressão.
— Aeroporto. Agora.
— Ordenou ao motorista.
— Preciso estar no ainda hoje Rio.
Faça acontecer, motorista.
Página 2 - O Início Frio
Zona Portuária, Rio.
Onde a cidade mostra suas cicatrizes e a esperança nasce da ferrugem e do concreto.
Um galpão abandonado underground na zona portuária do Rio. O ambiente era o oposto do laboratório: quente, rústico, com o cheiro de maresia e tinta fresca no ar.
Faixas de protesto, latas de spray e cartazes estavam espalhados pelo chão.
No meio de um grupo de jovens ativistas, Herika Rodrigues estava de pé sobre um caixote de madeira, os olhos verdes brilhando com paixão.
Ela gesticulava com energia.
— Vamo nessa, galera! Separa esse material! Prepara a tinta!
- Nessa porra de amanhã, a gente vai engolir eles! Acabou a palhaçada de usar a animais como cobaias! Eles que se preparem!
A determinação de uma líder. Mas também um traço de cansaço. A luta cobrava seu preço.
- Preciso dar uma baixada de bola... só o dia de hoje, pô."
Seu pensamento vagou
"Vou ter que dar um tempo... só pra hoje, tá ligado?
Algum lugar com vista para o mar.
Onde o mundo real vira apenas um jogo de números e a vitória tem o som do silêncio.
Vibe totalmente diferente.
Um loft moderno na Zona Sul.
JC Andrade estava sentado em frente a dois monitores de computador gigantes.
Gráficos do mercado financeiro subiam e desciam como um eletrocardiograma ansioso. Ele estava sem camisa, corpo atlético, e um sorriso vitorioso no rosto. O saldo na tela estava extremamente positivo.
— QUE ISSO! Porra, hackeamos o sistema! Fechando a semana no verde e com a conta gigante!"!
JC se levantou, espreguiçando-se, vitorioso.
Olhou pela janela, que mostrava a praia ao longe, um paraíso particular.
— E agora, hein... O que o papai merece? Um mergulho na água salgada pra limpar a alma ou um treino pra amassar o ego?
Ele correu em direção ao banheiro, já tirando a bermuda. Pura energia e euforia.
— Partiu maromba, mané! A endorfina tá gritando aqui! Bora!!
Página 3 - Paradoxo Genético
Onde a vida é reduzida a códigos e a frustração de um deus menor diante de sua criação teimosa.
De volta ao laboratório do Dr. Marcos.
A cena era dominada por um monitor holográfico gigante flutuando no ar, exibindo uma complexa hélice de DNA em 3D.
O Dr. Marcos estava de pé, de frente para a projeção, o rosto iluminado pelo brilho azul dos dados.
Sua expressão era de profunda frustração, a testa franzida.
Uma seção da hélice de DNA brilhava em vermelho, com um alerta piscando ao lado:
"FALHA DE SEQUENCIAMENTO: REJEIÇÃO DE COMBINAÇÂO".
Blip... blip... blip...
Dr. Marcos apertou a ponte do nariz, fechando os olhos por um instante, exausto.
— Inacreditável... Outra vez esse paradoxo de sequenciamento.
— Murmurou para si mesmo
- A combinação está totalmente comprometida. Não pode ser!
— Isso não está nada bom.
Vanessa, disfarçada de "Daiane" assistente particular do DR.
Com uma peruca preta e longa e lentes verdes, se aproximou por trás dele, segurando uma prancheta digital. Seu rosto era uma máscara de preocupação subserviente, mas seus olhos verdes eram afiados, atentos, absorvendo cada detalhe.
— Algum gap na telemetria da amostra, Dr. Cruz? A simulação divergiu do escopo esperado?"
Escondido sob a lapela do jaleco, o pequeno olho da câmera de seu smartphone estava ligado, gravando tudo.
Um minúsculo ponto vermelho de luz mal era visível.
(O pensamento é um sussurro ansioso na mente dela)
"Continua, Doutor. Me dá o furo... esse é o lead que eu preciso. Me solta a manchete!"
Dr. Marcos se virou parcialmente para ela.
Ao fundo, desfocada, mas claramente visível, estava a preguiça-real na sua jaula de vidro. O animal parecia letárgico, quase resignado, um prisioneiro silencioso no meio daquela discussão científica.
(Sem olhá-la diretamente, com um tom de desprezo científico)
"Não se trata da projeção de dados, Daiane. É o espécime. A matéria-prima que é o problema. Teimosa. Pateticamente imperfeita."
Página 4 - Chave da Preguiça
Para uma boa repórter, não existem portas fechadas.
Apenas chaves que ainda não foram encontradas.
Ou forjadas.
Com as conexões certas e a influência necessária, Vanessa não apenas conseguiu uma entrevista... ela tomou o lugar da antiga assistente, agora rebaixada à faxina.
Um corredor mal iluminado do laboratório.
Uma mulher vestida com uniforme de faxina empurrava um carrinho de limpeza.
Ela parou e olhou por cima do ombro em direção à porta do laboratório principal, com uma expressão de pura amargura e ressentimento no rosto.
Dentro do laboratório, Vanessa — como "Daiane" — se aproximou do Dr. Marcos, que ainda encarava o monitor holográfico com frustração.
Ela mantinha sua postura de assistente prestativa.
— Professor... Com sua licença.
Seria possível me dar o briefing sobre o foco deste estudo com o espécime Bradypus?
Dr. Marcos estava recombinado os genomas, se virou lentamente para ela.
Um leve sorriso de arrogância surgiu em seus lábios.
Ele parecia gostar da oportunidade de exibir seu grande intelecto, seu ego, sua superioridade.
— É uma inquisição perspicaz, Daiane.
Mas devo elucidar: nosso foco não é o estudo da inércia. Nós visamos a catalisação da agressividade. E o fazemos, justamente, através da dissecação do seu oposto conceitual mais prístino.
Ele começou a andar pelo laboratório, as mãos para trás, como um palestrante em seu palco.
Se dirigindo para uma grande janela de vidro, lá fora o trânsito caótico da cidade.
— Vivemos o apogeu da hiperaceleração. A utopia da tecnologia, que prometeu liberação de tempo, apenas nos empurrou a ritmos totalmente insustentáveis.
Dr. Marcos para abaixa a cabeça em um ar de decepção r continua sua palestra do caos.
- O organismo, Daiane, é o nosso ponto de fratura. Picos de cortisol, a desregulação da pressão, a dor crônica... São meros sintomas de um iminente colapso sistêmico.".
Dr. Marcos se dirigiu e parou em frente à jaula, olhando para o animal com um distanciamento clínico.
— Pura biologia, Daiane. Elas representam o nosso esquema fundamental.
- No código genético do Bradypus reside a chave mestra para a desativação da agressividade humana.
Nós vamos rastrear essa sequência, replicá-la e, garantindo a patente, teremos o controle absoluto do processo
Ele se virou para Daiane (Vanessa) com um ar de grandiosidade, dando a ela a informação final que ela tanto queria.
— E, permita-me ser enfático, Daiane: tudo isso seria inviável sem o aporte estratégico e a perspicácia financeira do Grupo Magnus.
A Magnus Farmacêutica é a única que valida e viabiliza esta revolução científica.
(O pensamento é um sussurro de euforia na mente da repórter)
"É isso! A conexão... Magnus e o monstro. O lead perfeito. Te peguei."
Página 5 - Botão Vermelho
Vanessa — como "Daiane" — exibiu um sorriso que, para qualquer um, pareceria de pura admiração.
Mas havia um brilho de cinismo em seus olhos.
Ela estava representando o papel de sua vida.
— Doutor, isso é simplesmente genial! Pense no impacto que um projeto com essa envergadura pode gerar para o mundo!
A máscara de cientista afável do Dr. Marcos se desfez completamente.
Seus olhos se tornaram frios, e um sorriso maquiavélico, sutil e perturbador, tomou conta de seus lábios.
(Voz baixa e gélida)
"Evidente, Daiane."
Dr. Marcos se virou de costas para Vanessa, ignorando-a completamente.
Aproximou-se de um painel de controle e estendeu a mão para um grande botão vermelho.
O sorriso de Vanessa desapareceu, dando lugar a uma confusão genuína.
— Dr.? O que o senhor está fazendo?
Click.
O dedo do Dr. Marcos apertou o botão.
Dentro da jaula de vidro, um injetor automático desceu e perfurou a pele da preguiça, começando a bombear um líquido vermelho e viscoso em sua corrente sanguínea.
A criatura se encolheu.
Dr. Marcos observava o procedimento com total frieza e desprezo.
Falou sem se virar para ela, como se ela fosse irrelevante.
— Minha cara, o protocolo empírico inicia-se neste exato momento.
Nossa prioridade é o tracking do espectro comportamental do espécime após a injeção controlada deste agente de modulação genômica.
Página 6 - Monstro Desperta
O suor começou a brotar na testa de Daiane (Vanessa).
A máscara de "Daiane" se foi restando apenas o pânico de uma mulher encurralada.
Seus olhos estavam fixos na jaula, a boca entreaberta em choque.
(A voz falha, quase um sussurro de terror)
"... agente modificador...?"
Dentro da jaula, a pupila da preguiça se dilatou violentamente.
Uma veia vermelha quase a estourar na esclera.
O olho, antes sonolento, agora estava arregalado em agonia e terror.
O corpo da preguiça começou a convulsionar violentamente, se debatendo contra o chão da jaula.
Os monitores cardíacos dispararam, criando um som agudo e ensurdecedor. Músculos se contraíam sob a pele de forma antinatural.
BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIP!
THUD! THUD! THUD!
Vanessa recuou, esbarrando em uma bancada de metal e derrubando alguns instrumentos com um barulho estridente.
Estava horrorizada, a mão cobrindo a boca para abafar um grito.
Não conseguia desviar o olhar.
CLATTER! CRASH!
A transformação atingiu seu auge.
As garras da preguiça se alongaram, tornando-se navalhas negras que arranhavam o vidro, deixando marcas.
Seu pelo pacífico se eriçou e pareceu escurecer um tom avermelhado.
A boca se abriu em um rosnado silencioso, revelando dentes afiados que não deveriam estar ali e olhos vermelhos de fogo.
A criatura não era mais uma preguiça. Era um monstro nascendo em agonia.
SKREEEEEEEEEE!
A criatura transformada, agora um predador voraz, se jogou com fúria contra o vidro da jaula, que tremeu com o impacto.
Do lado de fora, o Dr. Marcos, de braços cruzados, observava a cena com um sorriso de satisfação plena.
Admirava sua obra, indiferente ao terror e ao sofrimento.
Sussurrando, com a voz completamente calma)
"É isso. O fenótipo é perfeito... absolutamente magnífico. Lindo demais."
Página 7 - Soro Gênesis
A criatura-preguiça, agora um monstro de pura fúria, continuava a se chocar contra o vidro da jaula, que rangia sob a pressão.
Dr. Marcos observava, extasiado, como um artista diante de sua obra-prima.
(Sussurrando, com a voz completamente calma, maravilhado com a perfeição da violência)
"É isso. O fenótipo é perfeito... absolutamente magnífico. Lindo demais."
Um som agudo e alto ecoou pelo laboratório.
BEEEEEEEEEP!
Na tela do computador central, uma mensagem em letras garrafais verdes:
"COMPOSTO GÊNESIS PRONTO PARA EXTRAÇÃO".
As mãos do Dr. Marcos voaram sobre o painel de controle, digitando um código rapidamente.
Seu rosto estava concentrado, a testa franzida em uma euforia febril. Ele estava no auge de sua criação.
Dentro da jaula, um novo conjunto de tubos e agulhas desceu do teto e se conectou à criatura enfurecida.
Imediatamente, um líquido amarelo brilhante, quase dourado, começou a ser coletado, fluindo pelos tubos.
A criatura lutava, mas estava presa.
Dr. Marcos segurou um cilindro de vidro que se enchia com o soro dourado.
A luz do líquido iluminava seu rosto com um brilho quase sagrado, seus olhos refletindo a cor do composto. Ele parecia um sacerdote segurando um elixir divino.
(A voz trêmula de excitação, quase um grito de vitória)
- "SIM! SIM! O primeiro extrato. O nosso soro GÊNESIS está aqui! Finalmente!"
O reflexo do soro dourado brilhou na pupila aterrorizada de Vanessa.
Ela sussurrou a palavra como se fosse uma maldição.
- Soro... Gênesis?
Página 8 - Fuga em Pânico
O processo terminou.
Os tubos se retraíram.
A criatura, agora esgotada e quase sem vida, desabou no chão da jaula.
A transformação monstruosa começa a se desfazer, deixando para trás apenas o corpo frágil de uma preguiça, exausta e moribunda.
Foi a gota d'água para Vanessa.
Com um grito abafado, ela se virou e correu desesperadamente para fora da sala, uma mancha de movimento contra o cenário de horror científico.
Mmph!
No corredor estéril do lado de fora, Vanessa se chocou contra a parede oposta, escorregando até o chão.
Estava hiperventilado, abraçando os próprios joelhos, o corpo tremendo incontrolavelmente.
Close-up em suas mãos trêmulas.
Uma mão agarrava a outra, tentando se firmar.
Então, com um esforço de vontade sobre-humano, uma das mãos se moveu, hesitante, em direção ao bolso do jaleco onde estava seu smartphone.
A tela do smartphone.
Um aplicativo de gravador de voz rodando em segundo plano.
Em primeiro plano, um bloco de notas aberto, onde ela digitava com os dedos trêmulos.
Sua voz ofegante, gravada:
"... que bad, que horror... Ele é um monstro..., mas eu preciso... eu preciso aprofundar a pauta..."
A tela do bloco de notas mostrava suas anotações frenéticas, como a página de um diário de pesadelo:
LÍQUIDO VERMELHO viscoso? Qual era o composto?SORO GÊNESIS?????LIGAÇÃO DIRETA: MAGNUS <> MARCOS <> MONSTROS (O plota!)PRECISO DE PROVAS CONCRETAS! (O hard News!)
Página 9 - Sombras no Corredor
Nos corredores frios da ciência, o maior predador nem sempre está na jaula.
A câmera estava no final de um corredor escuro, olhando em direção a Vanessa.
Ela ainda estava encolhida contra a parede, tentando recuperar o fôlego.
Em primeiro plano, nas sombras, a silhueta nítida de uma mulher.
A figura era esguia e tensa, como um felino prestes a atacar.
Ela observava Daiane (Vanessa), imóvel.
Dentro do laboratório, o smartphone do Dr. Marcos vibrava sobre a bancada de metal.
BZZZT... BZZZT...
A tela acendia, mostrando o nome "MAURO MAGNUS" e o logo da corporação.
A poucas quadras dali.
Onde o único sofrimento é o da última repetição.
Uma academia moderna e vibrante na Zona Sul do Rio.
JC finalizava sua última série de exercícios, o suor escorrendo pelo corpo atlético.
A atmosfera era de energia e superação.
No vestiário, sob o chuveiro, a água escorria por seu rosto enquanto ele sorria, satisfeito.
A imagem da despreocupação.
(Com a voz satisfeita e descontraída)
- Aí, moleque, deu bom! O treino rendeu. O dia foi produtivo demais. Acho que o paizão aqui merece uma gelada para relaxar, né?
Cruzando a cidade até a o galpão na zona portuária, Herika estava de pé, falando com seu grupo de ativistas. A reunião estratégica terminara, e o ar estava carregado de uma energia combativa e esperançosa.
O sol já se pusera, e a luz do galpão era precária.
— Tudo alinhado, galera. Game on amanhã. Sem dar mole, vamos pra cima deles com tudo!"!
— SIM! VAMOS! — Respondeu o grupo em coro.
Do lado de fora do galpão, Herika estava encostada em seu carro elétrico, um Cama Chery iCar branco.
Parecia exausta, mas determinada.
Falou para si mesma enquanto olhava para o céu noturno do Rio.
— "Nossa... Que dia punk. Preciso de um drink e uma música maneira... dar uma relaxada por aí."
Dirigindo, avistou um pequeno pub na esquina — Alquimia Urbana — com uma luz quente e convidativa.
(Com um leve sorriso)
"Hum... Ali deve ser um bom spot."
(Narrador, focando no contraste entre o galpão e o carro)
"Ela era a líder da luta, saindo da precariedade do galpão da zona portuária, mas entrando no conforto silencioso de seu Caoa Chery iCar branco. Um contraste gritante que resumia a dicotomia do ativismo moderno: lutar contra o sistema... usando os melhores produtos do sistema para se locomover. Era uma linha tênue, e Herika parecia cruzá-la com um sorriso exausto no rosto."
Página 10 - Reencontro
Pub Alquimia Urbana.
Onde o acaso mistura memórias e destinos em um copo de bebida.
JC estava sentado sozinho no balcão do bar.
Na porta de entrada, banhada pela luz quente que vinha da rua, Herika parou por um instante.
Seus olhos se arregalaram em reconhecimento.
(Sussurrando para si mesma, em choque)
"Não acredito..."
Herika se aproximou do bar com um sorriso enorme e genuíno.
JC se virou ao ouvir a voz dela e seu rosto se iluminou com uma surpresa contagiante.
Ele se levantou da banqueta no mesmo instante.
— JC! Putz, cara, é você mesmo?
— Herika? Mentira! Que onda! Quanto tempo!
Os dois se encontraram em um abraço apertado e afetuoso, cheio de saudade.
Ambos estavam rindo.
Era um reencontro de almas que se conheciam há muito tempo.
O mundo deles se resumia àquele momento.
Eles se afastaram um pouco, mas ainda seguravam os braços um do outro.
Herika o olhou de cima a baixo, com um ar divertido e impressionado.
— Caraca, olha para você! Deu uma encorpada maneira, está metido a galã de novela das 21h? O que andou aprontando da vida?
JC a olhou com um brilho galanteador, mas sincero, no olhar.
— E você... meu Deus. Continua a mesma gata. E esse cabelo rastafári... realçou ainda mais esses seus olhos verdes. Tá arrasando.
Herika riu, genuinamente feliz e um pouco sem graça com o elogio.
Deu um tapinha no braço dele.
— Ah, para com isso, JC! Você não muda, sempre esse conquistador barato...
Página 11 - Fantasmas do Passado
Para velhos amigos, alguns drinks são o suficiente para transformar anos de silêncio em minutos de nostalgia...
JC e Herika estavam sentados em uma mesa, rindo enquanto bebiam.
As memórias flutuavam ao redor deles como fantasmas do passado:
Correndo na praia com um grupo de amigos, dividindo um balde de pipoca no cinema.
E a mais nítida de todas — os dois sozinhos, abraçados atrás do muro da escola, os rostos muito próximos, em um momento de intimidade que ia além da amizade.
...e para trazer de volta perguntas que nunca foram respondidas.
De volta ao presente, a risada cessou.
Eles estavam em silêncio agora, apenas se olhando por cima dos copos.
A atmosfera não era mais de euforia, mas de uma calma carregada de sentimento.
A lembrança do momento atrás do muro da escola pairava entre eles.
JC a olhava de um jeito diferente agora, mais suave, mais sério.
Quebrou o silêncio, tentando voltar ao tom de brincadeira, mas a escolha de palavras foi infeliz.
(Com um sorriso forçado, tentando ser casual)
- Mas e aí... continua nessa mesma vibe? Tentando salvar o mundo, Herika?"
A reação de Herika foi imediata.
O brilho suave em seus olhos se apagou.
O sorriso desapareceu.
A conexão que eles tinham no momento anterior se quebrou visivelmente.
Era a decepção pura.
Herika desviou o olhar e deu um gole em sua bebida antes de responder. A voz dela agora era fria, distante.
O clima perfeito fora destruído.
(Voz baixa, fria e direta)
"Pelo menos eu estou tentando fazer a diferença, JC. E você, o que tem feito?"
Página 12 - Briga Ideológica
Confronto no Alquimia Urbana (Paixão, Raiva e Ideologia)
JC levantou as mãos em um gesto de rendição, tentando acalmar os ânimos com um sorriso sem graça.
A expressão de Herika, no entanto, endureceu ainda mais.
Ela não estava mais decepcionada.
Estava ficando com raiva.
— "Opa, calma aí, linda. Foi só uma pergunta à toa, relaxa o lance.".
Os olhos verdes de Herika fuzilaram JC.
A forma como ela disse o nome completo dele foi como um golpe.
— À toa? Não, João Carlos. Foi a mesma pergunta de sempre. Você não mudou absolutamente nada.
JC recuou na cadeira, a expressão de constrangimento total.
Ele sabia o que vinha a seguir.
(Monólogo interno de JC)
Putz... me chamou de João Carlos. Agora o sermão vem com juros e correção monetária...
Herika estava inclinada sobre a mesa, gesticulando com raiva. JC estava na defensiva, afundado na cadeira.
(Inclinada sobre a mesa, gesticulando com raiva)
"Continua a mesma pessoa vazia... que não se importa com nada além do próprio umbigo! Isso é alienação, JC!"
(Na defensiva, afundado na cadeira)
"Ah, qual é, Herika... Não vamos começar com essa militância de novo, pelo amor de Deus!"
Herika se levantou, a voz aumentando de volume, atraindo olhares de outras mesas no pub. A raiva dela agora era pública.
— "Aposto que continua com essa sua vidinha patética! Escondido atrás de um computador, fingindo que o mundo real não existe e que a luta não é sua!"!
JC se levantou também, finalmente perdendo a paciência e rebatendo no mesmo tom.
— E qual o problema?! Eu luto pelas minhas coisas, pelos meus ideais! Desculpa se a minha 'vibe' não é ser mártir e tentar salvar o mundo 24 horas por dia, vivendo de ideologia!
O rosto de Herika se contraiu em uma mistura de fúria e mágoa. Ela pegou a bolsa da mesa.
A frase dela foi final, uma sentença.
— É por isso que a gente nunca deu certo.
Herika virou as costas e se afastou, uma figura determinada saindo do bar.
JC ficou parado, observando-a ir, a raiva em seu rosto se transformando em pura tristeza e arrependimento.
Ele desabou de volta na cadeira.
Sozinho na mesa, JC encarou o copo meio vazio. Parecia derrotado.
(Sem levantar a cabeça)
"Garçom... a conta, por favor."
No estacionamento escuro do lado de fora do pub, JC caminhava cabisbaixo em direção ao seu HB20 amarelo. De repente, seu celular vibrou no bolso, a luz da tela iluminando seu rosto triste.
Na tela, uma única palavra brilhava: PAI.
BZZZT... BZZZT...
Página 13 - Hangar de Poder
Aeroporto de Brasília.
Onde o poder não espera na fila de embarque.
Uma imagem imponente.
A pista de um hangar particular no aeroporto de Brasília, à noite.
Um jato executivo, preto e elegante, aguardava sob as luzes frias. Uma limusine de luxo parou ao lado da escada da aeronave.
Ao pé da escada do jato, Fernando — um gigante Negro, careca com estilo paulista de terno e óculos escuros — estava parado, imóvel como uma estátua.
Sua presença era uma muralha de lealdade e força bruta.
Mauro Magnus saiu da limusine e subiu as escadas com um passo rápido e decidido, dirigindo-se a Fernando sem diminuir a velocidade.
— Tudo on board?
(Fernando Com sua voz grave, sem se mover)
"Sim, senhor. Status confirmado."
Já dentro da cabine luxuosa do jato, que agora estava em movimento, Magnus se acomodou em sua poltrona de couro branco.
Fernando, em pé, entregou-lhe um tablet ultrafino.
— Seu briefing de notícias, senhor.
Magnus olhou para o tablet.
Na tela, quatro manchetes exibiam a imagem pública que ele cultivava com tanto esmero:
Radar em Foco:"Filantropo Mauro Magnus inaugura mais uma Farmácia Popular: 'precinho que todos podem pagar.'"
- Magnus cortando o fio de Inauguração.
Magazine Empresarial:"Grupo Magnus recebe título de empresa ecologicamente biossustentável."
- Magnus segurando um selo de qualidade.
TV SHOCK:"Magnus dá o pontapé inicial nas obras do instituto de tecnologia educacional para jovens na Fazendinha em São Paulo."
- Magnus com chapéu de obra e uma pá.
Rede News:"Grupo Magnus apoia a diversidade empresarial e se torna exemplo para o país."
- A foto com Magnus ao lado, de uma Trans, uma mulher obesa, um cadeirante e um homossexual.
Magnus terminou de ler as manchetes.
Um sorriso lento, frio, vitorioso e absolutamente maléfico se formou em seus lábios.
Ele se deleitava com a própria farsa.
Página 14 - Caçada Secreta
De volata as frias instalações do laboratório Vanessa se recompuseram no corredor.
Levantou-se do chão, o rosto ainda pálido, mas a expressão de pânico fora substituída por uma máscara de raiva e determinação fria.
Enxugou uma última lágrima com as costas da mão.
(Monólogo interno, a voz da repórter tomando o lugar da vítima)
"Chorar não vai dar biscoito, Vanessa. Chora depois. Agora... agora é hora de trampar."
Ela caminhou furtivamente por um corredor adjacente, mantendo-se perto das paredes.
O smartphone estava em sua mão, e ela gravava um áudio em um sussurro urgente, como uma espiã em território inimigo.
(Sussurro urgente)
... esse papo de vacina é papo furado. A pesquisa é muito mais sinistra. Eu preciso de um ângulo para essa pauta urgente! Tenho que rastrear o real motivo das preguiças... e que líquido vermelho, que composto esquisito era aquele. Preciso de dados concretos!"
Em um cruzamento de corredores, Vanessa parou abruptamente.
Ao longe, avistou outra assistente de laboratório carregando uma bandeja com tubos de ensaio e seringas, entrando em uma sala no final do corredor.
Seus olhos se estreitaram. O "feeling" de repórter apitou.
(Sussurro interno, ao ver a assistente sumir)
"Opa... Aonde a madame vai com essa pressa e esse aparato? Essa daí está de caô... isso tem cara de acesso restrito..."
Vanessa seguiu a assistente, movendo-se de forma ágil e silenciosa, usando as sombras e os equipamentos do corredor para se esconder.
Chegou à porta da sala e espiou pela pequena janela de vidro.
A sala estava completamente vazia.
Era um laboratório comum, mas não havia sinal da assistente.
(Sussurrando, confusa)
"Ué... Cadê ela? Evaporou? Que estranho..."
Página 15 - Alçapão Revelado
Na caça pela verdade, às vezes o caçador... também é a presa.
Vanessa entrou na sala, olhando para todos os lados, confusa.
No corredor escuro do lado de fora, uma silhueta feminina misteriosa estava em primeiro plano, observando cada movimento de Vanessa.
Dentro da sala, Vanessa vasculhava o ambiente, passando as mãos pelas paredes de metal, procurando por qualquer fresta ou botão.
(Para si mesma, frustrada)
Não é possível, mermão... onde essa mina se meteu? Tem que ter um acesso secreto aqui... Pô, que droga! Não posso perder essa evidência!"
Der repente um zumbido baixo e mecânico começou a ecoar pela sala.
VVVMMMMMMMM...
Vanessa parou, congelada, tentando identificar a origem do som.
No chão, no centro da sala, frestas de uma luz azul começaram a delinear um grande quadrado no piso.
O quadrado no chão deslizou para o lado com um som sibilante, revelando uma escada de metal que descia para uma escuridão completa.
KSSSHHHHHH... CLICK.
Vanessa estava parada na beira da passagem, olhando para baixo, para a escuridão.
Seu rosto era uma mistura de medo, choque e a excitação incontrolável de uma repórter que acabara de encontrar o "furo" da sua vida.
(Sussurrando em triunfo e adrenalina)
"Bingo, caraca! A câmara secreta! Achei o furo!"
Página 16 - Mergulho no Escuro
A Queda na Toca do Gato
A mesma assistente de laboratório agora está subindo as escadas, mais agora com as mãos vazias deixando a passagem secreta.
Vanessa rapidamente e de forma ágil e silenciosa se esconde debaixo de uma mesa de metal em um canto da sala.
Com um ar de Surpresa
- Eita, um alçapão... Cara, mais suspeito que isso, só o fim do mundo!
A assistente que acabada de sair da passagem sem notar nada de anormal no ambiente e se dirige para porta e sai da sala.
Assim que a assistente deixa o local, a passagem no chão começa a se fechar e produzir um zumbido mecânico.
VVVMMMMMM...
Sem hesitar, Vanessa sai rapidamente de seu esconderijo debaixo da mesa em um movimento fluido e atlético, correndo em direção à abertura que está diminuía rapidamente.
Era a imagem da determinação.
Dentro da passagem, olhando para cima, a silhueta de Vanessa mergulhou através da fresta de luz, um instante antes que a porta se fechasse completamente, mergulhando a cena em uma escuridão.
THOOMP!
Dentro da passagem escura, Vanessa estava agachada no topo da escada que levava ao subsolo.
A única luz vinha da tela de seu smartphone, que ela usava como lanterna, iluminando seu rosto suado e tenso, mas com um brilho de vitória nos olhos.
(Sussurrando, vitoriosa)
- Meu faro de repórter... não dá mole nunca. Aqui tem BOMBA!"
Do lado de fora da sala, através de um vidro espelhado, o laboratório agora vazio, com o alçapão perfeitamente fechado.
No reflexo do vidro, a figura feminina misteriosa.
Seu rosto ainda estava nas sombras, mas um sorriso diabólico e satisfeito era claramente visível.
Ela vira tudo.
Página 17 - Chegada do Rei
De volta ao laboratório principal.
Estava mais escuro, a noite já caíra.
Dr. Marcos desligou o celular com uma expressão de pura irritação.
(Com irritação e desprezo na voz)
"Absurdo! Apenas vetores triviais sabotando o fluxo. Que insuportável interferência no meu protocolo! Eles são uns zero à esquerda."
Ele segurava a cápsula com o soro Gênesis dourado.
A luz do líquido iluminava suas mãos.
A expressão de irritação em seu rosto se suavizou, dando lugar a um olhar de admiração e orgulho paterno.
Sua criação era seu único consolo.
Aeroporto Galeão Rio de Janeiro.
A cidade maravilhosa espera, indiferente aos monstros que chegam em suas asas de metal.
Um hangar particular no aeroporto do Rio de Janeiro, à noite.
As portas do jato executivo de Magnus se abriram.
Um sedan preto executivo já aguardava na pista, ao lado da escada.
Magnus e Fernando desceram as escadas do jato.
Seus movimentos eram rápidos, sincronizados.
Sem uma palavra, entraram no sedan que os aguardava.
A porta se fechou com um som surdo e pesado.
Dentro do carro, Magnus olhava pela janela, a paisagem da orla noturna passando por ele.
Seu rosto estava imerso em sombras, a expressão sombria e calculista.
Fernando estava no banco do passageiro.
(Direto e formal, ao motorista)
"Para a mansão. Rápido."
Pouco tempo depois o sedan parou em frente a uma fortaleza de vidro e concreto, uma mansão modernista cravada na pedra que desafiava o mar noturno com sua iluminação fria e arrogante.
Magnus saiu do carro, não com o cansaço de um viajante, mas com o tédio de um rei forçado a lidar com a incompetência alheia.
Seus olhos estavam focados, implacáveis, e neles havia um brilho sádico antecipando as ordens que estavam por vir.
(Voz fria e imperiosa)
"Quero que você cuide disso pessoalmente, Fernando. E não quero erros, muito menos furos de protocolo dessa vez."
Fernando acenou levemente com a cabeça.
— Sim, chefe. Não falharei com o senhor. Missão entendida.
Magnus se virou e caminhou em direção à entrada iluminada de sua mansão.
Fernando, de costas, puxa um aparelho de celular e faz uma ligação.
Sua silhueta era uma promessa de violência iminente.
(Com a voz grave, em tom de comando)
- Convoquem os demais. Há uma operação em andamento. Temos trabalho de campo para executar."
Página 18 - Jaula Dourada
Uma jaula dourada, à beira-mar.
O hall de entrada da mansão de Magnus.
Um espaço grandioso, frio e impessoal, decorado com mármore, vidro e arte moderna caríssima.
Magnus entrou, e imediatamente Bibi, sua esposa, se jogou em seus braços.
Era uma jovem loira, gaúcha, escultural, vestindo um robe de seda curto que mal escondia suas curvas.
Ao fundo, vemos Fernando se afastando discretamente, já finalizando sua ligação.
(Voz manhosa e sedutora, com sotaque gaúcho)
"Chefinho... demorou, tchê... A saudade apertou de ver!"
Ela o beijou com uma paixão faminta.
Magnus correspondeu, mas seu olhar, por cima do ombro dela, estava distante, frio.
Ele já estava pensando em negócios.
Magnus se afastou do beijo e pegou o seu caríssimo iphone.
Bibi, com um bico charmoso, começou a subir a escadaria monumental do hall, olhando para ele por cima do ombro de forma provocante.
— Vem logo, Chefinho... A tua coelhinha tá aqui, arrumou o quarto todo só pra ti, viu? Não te atrasa, tchê!.
— Só um minuto, minha querida. O papai precisa fazer uma ligação importante.
— Rápido, meu Tigrão... A tua coelhinha tá morrendo de saudade de ti! Não me faz correr sozinha!.
Enquanto isso, nas entranhas do laboratório...
Escuridão total.
A única coisa visível era um feixe de luz fraco vindo da lanterna de um smartphone, iluminando os degraus de metal de uma escada que descia para o breu.
Vanessa descia as escadas cautelosamente.
O ambiente era úmido e claustrofóbico.
A luz de seu celular criava sombras dançantes e ameaçadoras nas paredes de concreto.
Seu rosto estava tenso, uma mistura de medo e adrenalina.
Ela chegou ao final da escada.
O feixe de luz de seu celular varreu a parede até encontrar um grande interruptor de energia, do tipo industrial.
Sua mão trêmula se aproximou para acioná-lo.
Vanessa acionou o interruptor.
As luzes fluorescentes do teto piscaram e se acenderam com um zumbido, revelando um novo laboratório, vasto e secreto.
O que dominava a cena eram oito macas enfileiradas no centro da sala.
Seis delas estavam ocupadas por formas que pareciam humanas, cobertas por lençóis brancos.
Vanessa estava parada, uma figura pequena e chocada diante da escala daquela cena macabra.
(Sussurrando, com horror absoluto, mas o instinto de repórter documentando)
"Meu Deus... Isso é.… cápsula. Seis pessoas. Seis cobaias... isso não é só um crime, é um cemitério secreto. Eu preciso... eu preciso de vídeo disso aqui."
Página 19 - Zoológico Profano
A câmera olhava de cima para baixo.
Vanessa era uma figura pequena e solitária no meio do vasto laboratório subterrâneo.
A luz fria das lâmpadas do teto iluminava as oito macas — seis cobertas por lençóis brancos e duas assustadoramente vazias.
O silêncio era pesado, macabro.
Vanessa se aproximou cautelosamente de uma das macas cobertas.
Sua mão se estendeu, tremendo, prestes a tocar o lençol.
O rosto dela era uma mistura de pavor e da compulsão de uma jornalista por descobrir a verdade.
Antes que ela tocasse no lençol, um brilho pulsante vindo de uma sala adjacente chamou sua atenção.
Ela se virou, os olhos se arregalando para a nova visão.
Uma visão de puro horror científico.
A sala adjacente era uma galeria sinistra dos predadores mais perigosos da fauna brasileira, cada um preso em uma jaula de vidro tecnológica.
Uma onça-pintada rosnando, um jacaré-açu imóvel como uma estátua da morte, e os anéis de uma sucuri se movendo lentamente e muitos outros.
Tubos e sensores estavam presos a todos eles, extraindo seu DNA em um fluxo constante para máquinas complexas. Era um zoológico profano.
Apesar do horror, Vanessa ergueu o smartphone, a lente da câmera brilhando enquanto ela começava a registrar tudo, a documentar o pesadelo.
(Sussurrando em choque e pavor, registrando cada detalhe)
- Meu Deus... é um açougue genético... é um laboratório de extração!"
Na tela do smartphone, a foto que ela acabara de tirar da onça na jaula. Abaixo, no bloco de notas, ela digitava apressadamente:
ANOTAÇÕES:
"Então é daqui... É daqui que ele extrai o soro vermelho para injetar nas preguiças? Que tipo de DNA é esse? Mas a pergunta que não quer calar... por quê? Qual o objetivo final do Protocolo Gênesis?"
Página 20 - Angústia e Purgação
Madrugada no Rio.
Onde a cidade adormece, mas os fantasmas pessoais continuam bem acordados.
Dentro do carro de JC.
Ele dirigia sem rumo pelas ruas vazias da madrugada carioca. O rádio estava desligado. Seu rosto, iluminado apenas pelas luzes do painel e dos postes que passavam, era uma máscara de frustração e tristeza.
No banco do passageiro, a tela de seu celular acendia com mais uma chamada ignorada: "PAI".
(Para si mesmo, a voz baixa, de desabafo)
"Cara, o meu dia estava perfeito... até eu esbarrar nela de novo. E avacalhar tudo de vez. Putz!"
Através do para-brisa, a avenida litorânea se abriu à sua frente.
A imensidão escura do oceano surgiu, com um caminho de luar prateado brilhando sobre as ondas.
Era um convite, uma rota de fuga.
A mão de JC no volante virou o carro em direção à areia a rota marítima.
O carro de JC parou no acostamento próximo a areia de uma praia deserta.
Os faróis cortaram a escuridão por um instante antes de se apagarem, deixando a cena ser dominada apenas pela luz da lua cheia.
Era um cenário de solidão majestosa.
JC caminhou pela areia fria, tirando a camisa e os sapatos. Era uma silhueta solitária contra o oceano infinito.
O som das ondas era o único ruído. Ele não estava indo para um mergulho de comemoração, mas para um batismo de desespero.
JC se jogou com força contra uma onda, a água explodindo ao seu redor. Era um ato de purgação.
KSSSHHHHHHAAAA!
Ele flutuou de olhos fechados na escuridão da água.
A luz da lua se difundia, criando um ambiente etéreo e onírico.
Um refúgio silencioso de seus pensamentos.
Emergiu da água, ofegante.
Olhou para o céu estrelado, para a lua cheia que o encarava de volta, indiferente e perfeita.
A água salgada se misturou às lágrimas de raiva e mágoa. Ele gritou para a lua.
(Grito visceral, misturado ao rugido das ondas)
- POR QUÊ?! POR QUE TINHA QUE SER HOJE, LOGO AGORA?!
JC saiu da água e, exausto, simplesmente se jogou de costas na areia molhada, os braços abertos em um gesto de rendição.
Encarou o céu estrelado, um náufrago na praia de sua própria decepção.
Página 21 – Vitória Noturna
A fortaleza de um rei.
Fria, exceto pela cama.
O quarto principal da mansão de Magnus.
Um ambiente enorme, luxuoso e frio, com uma parede inteira de vidro mostrando o mar noturno.
Em uma cama gigantesca, Bibi estava deitada, vestindo um lingerie provocante.
Magnus estava de pé, de costas para ela, finalizando uma ligação em seu celular.
Uma TV de tela plana na parede estava ligada em um canal de notícias.
Na tela da TV, o logotipo da Rede News e o rosto sério de um âncora de jornal. Uma faixa de "URGENTE" piscava na parte inferior.
[... Notícia na TV sobre o Contrato Milionário com o Governo Federal...]
— ...e a notícia que acaba de chegar à nossa redação: fontes do Planalto confirmam que a Farmacêutica Magnus está prestes a assinar um contrato milionário de exclusividade com o Governo Federal.
Magnus ouviu a notícia. Um sorriso lento e vitorioso se espalhou por seus lábios.
Seus olhos brilharam com poder e satisfação.
Era o som da vitória.
Magnus desligou o celular e se virou para a cama. Sua postura mudou, tornando-se mais predatória e confiante.
Encarou Bibi com um olhar faminto.
— Coelhinha... prepara-se. Seu chefinho está com tudo.
Bibi mordeu o lábio inferior, os olhos brilhando de excitação ao ver a demonstração de poder do marido.
— É assim que eu gosto, meu Tigrão... Poder e negócios! Vem cá me mostrar o quanto tu tá vitorioso, tchê..
Página 22 - Ratinha Capturada
Dentro do laboratório subterrâneo, Vanessa estava de costas, tentando fazer uma ligação.
Na tela de seu smartphone, a mensagem: "SEM SINAL". Sua frustração era visível na postura tensa.
— (Sussurrando, frustrada)
"Pô, que caô! Não consigo falar com Ivan, too sem sinal. Essa blindagem é forte pra caralho. Vou ter que dar um jeito e subir de novo pra ligar pra ele!"
Quando Vanessa se virou para a escada, parou, congelada.
Das sombras, atrás de uma das macas, surgiu Adriele.
Ela já estava falando calmamente em um comunicador em seu pulso.
(Voz fria e controlada, no comunicador)
"Achei a nossa ratinha fujona. Ela está na subseção C3. Venham para cá. Agora."
As duas se encararam.
Vanessa tentou disfarçar o pânico, forçando um sorriso de confusão.
Adriele a observava, imóvel e sem expressão, como uma predadora avaliando sua presa.
(Com o sorriso falso, forçado)
- Opa! Que susto... eu só estou aqui fazendo o meu trabalho. Me perdi, sabe como é...
(Monólogo interno de Vanessa, em pânico)
"Como?! Como eu não percebi a presença dela?! PQP, a armadilha se fechou..."
Os olhos azuis de Adriele pareciam enxergar através da farsa de Vanessa.
A voz dela era calma, mas cheia de uma certeza mortal.
— Eu sei quem você é, Vanessa.
Vanessa recuou um passo, o choque estampado em seu rosto. Seu disfarce fora quebrado. Mesmo assim, ela tentou uma última cartada, inflando o peito com uma convicção desesperada.
— Do que você está falando? Eu sou Daiane. Assistente pessoal do Dr. Marcos. Acho que você me confundiu, querida.
Adriele soltou um som baixo, quase um ronronar de satisfação.
Um sorriso perigoso e divertido brincou em seus lábios. O jogo acabara, e ela vencera.
Rrrnnnn...
Página 23 - Chute Devastador
VSSH!
Um borrão de movimento.
Adriele avançou com uma velocidade felina.
Sua mão arrancou a peruca preta da cabeça de Vanessa em um gesto rápido e humilhante. O cabelo ruivo e vibrante de Vanessa se soltou, esvoaçando.
Adriele jogou a peruca de lado com desprezo. Encarou Vanessa, agora exposta, com um ar de superioridade e um sorriso cruel.
(Com um ronronar baixo e ameaçador)
— Sério isso? Ruiva... eu odeio ruivas.
Vanessa sabia que a farsa acabara e que o tempo estava se esgotando.
Com um grito de fúria, partiu para cima de Adriele, tentando usar a força bruta para superar a oponente.
(Gritando em fúria)
"Não tem outro jeito, né? Então vou com tudo para cima de você! Me capturar não vai ser fácil, sua cobra!"
THWACK!
Adriele não se moveu um centímetro.
Simplesmente girou o corpo e acertou um chute devastador na boca do estômago de Vanessa.
O corpo da repórter se dobrou com a força do golpe, o ar saindo de seus pulmões.
Vanessa caiu de joelhos a alguns metros de distância, tossindo e tentando recuperar o fôlego, o rosto contorcido de dor.
(Tentando respirar, com ódio)
"Filha da... você é baixinha, mas bate forte... cof! Mas isso não vai me parar!"
(Se aproximando lentamente, como uma predadora cercando sua presa)
- Você ainda não viu nada... minha ratinha."
(Monólogo interno de Vanessa)
"Preciso me livrar dela... Rápido... antes que o reforço chegue... Eu preciso da minha matéria!"
Adriele explodiu em movimento, correndo e saltando em direção a Vanessa, que tentava se levantar. Adriele estava no ar, o corpo perfeitamente alinhado para uma voadora.
No último segundo, Vanessa se jogou para o lado, rolando no chão.
A voadora de Adriele passou zunindo por onde sua cabeça estava, em direção a uma parede de concreto logo atrás.
(Monólogo interno de Vanessa, com um lampejo de esperança)
"Isso! Ela vai se arrebentar na parede! É a minha chance de fuga!"
O pé de Adriele bateu na parede, mas em vez de se chocar, ela usou o impacto como um trampolim.
Com uma agilidade impossível e felina, girou no ar e saltou de volta, como um projétil, na direção da atônita Vanessa, que tentava escapar.
Adriele a aterrou com precisão, imobilizando-a no chão com uma chave de corpo complexa.
Estava por cima, vitoriosa, o rosto próximo ao de Vanessa.
(Sussurrando, com um ronronar feliz)
"Aonde pensa que vai, ratinha? Essa gata aqui... sempre pega a sua presa."
Vanessa, presa no chão, olhou para Adriele com uma mistura de dor, perplexidade e terror.
— "Como... Como você fez isso?! Que tipo de... treinamento é esse?"
As botas pesadas de dois seguranças entraram em cena, parando ao lado das duas.
A luta acabara.
Página 24 - Ordem de Eliminação
O Procedimento de Extinção (Frieza e Terror)
No laboratório principal, um assistente levava embora o corpo mole e exausto da preguiça.
Ao fundo, o Dr. Marcos olhava em volta, a testa franzida em confusão.
- Estranho... Cadê a Daiane? Eu a vi sair, mas não voltou para o protocolo...
Nesse momento Adriele entra no laboratório.
Estava perfeitamente composta, sem um único arranhão ou cabelo fora do lugar. Caminhou em direção ao Dr. Marcos com a eficiência de uma predadora que acabara de garantir sua caça.
— Doutor.
Adriele parou em frente a um Dr. Marcos ainda confuso.
A expressão dela era de um profissionalismo frio, mas havia um brilho de satisfação em seus olhos azuis.
— Sua 'assistente'... é uma bela rata de esgoto. Uma espiã. Ela invadiu a subseção C3. Captura concluída.
Dr. Marcos abaixou a cabeça, balançando-a em um gesto de puro desapontamento.
Parecia mais cansado do que irritado.
(Voz baixa e controlada)
"Rastreiem essa anomalia. Quem é essa pessoa? Qual o nível de intrusão que ela obteve? Isso é prioridade zero. Descubram o que ela comprometeu."
Dr. Marcos levantou a cabeça. A decepção se fora, substituída por uma expressão de crueldade absoluta.
O semblante do cientista sumira, revelando o monstro por baixo. Sua voz era um comando gélido e final.
(Gélido e implacável)
- Em seguida, a prioridade é a eliminação silenciosa. Não tolerarei qualquer contaminação ou rastro. Que seja um procedimento de extinção, definitivo."
No corredor do lado de fora do laboratório, Vanessa, já capturada, era arrastada por dois seguranças.
Ela ouviu a ordem do doutor e entrou em pânico total, debatendo-se com a força do desespero.
(Gritando em pânico absoluto, sendo arrastada)
"NÃO! DR. MARCOS, PELO AMOR DE DEUS, NÃO! EU NÃO VOU FALAR NADA! POR FAVOR, EU SÓ QUERIA A MATÉRIA!"
De volta ao laboratório, Adriele soltou um sorriso sádico e satisfeito enquanto ouvia os gritos de Vanessa.
(Com um ronronar de prazer)
"Deixe comigo, Doutor. Será um prazer. rnrnrnrnrn"
Página 25 - Cela de Vidro
Adriele se virou para os seguranças que seguravam uma Vanessa que ainda se debatia.
A ordem dela foi curta e brutal.
— Façam uma revista geral nela e prendam essa rata de esgoto na contenção. Tirem TUDO dela. Celular, gravador, anotações... e as roupas.
Vanessa, agora vestindo apenas roupas íntimas, foi jogada sem cerimônia para dentro de uma cela de vidro cilíndrica no meio de uma sala branca e estéril.
A porta de vidro da Contenção se fechou com um silvo pneumático, selando Vanessa lá dentro.
A cela era uma prisão de alta tecnologia, impenetrável.
KSSSHHH-CHUNK!
Dentro da cela, Vanessa, movida por pura raiva e impotência, esmurrou o vidro com toda a força.
Sua imagem refletida a encarava de volta, uma prisioneira desesperada.
(Gritando em fúria, os socos no vidro abafados e inúteis)
"PRA QUE ISSO?! PELO MENOS DEVOLVAM MINHAS ROUPAS, SEUS DOENTES PSICOPATAS! ISSO É TORTURA!"
A sala de contenção ficou em silêncio.
Vanessa estava encolhida no chão da cela, uma figura pequena e vulnerável dentro daquela prisão transparente.
A Contenção. Uma prisão cilíndrica de vidro laminado, cercada por um sistema de segurança de última geração que a tornava praticamente impenetrável. Mas sua tecnologia mais avançada era a psicológica. A transparência total garantia a exposição completa, a humilhação constante. O silêncio era mantido por um abafador sônico, e os sensores não estavam lá para garantir a vida, mas para registrar o processo de degradação da vontade. Era uma ferramenta cirurgicamente precisa para desmantelar uma pessoa.
A luta acabara. Por enquanto.
Alvorecer.
Uma tomada externa do imponente prédio dos Laboratórios Magnus. O céu ao fundo começava a clarear com os primeiros raios de sol. Um novo dia se aproximava, indiferente ao horror que acontecia lá dentro.
Página 26 - Hora da Batalha
A Líder
Galpão na Zona Portuária.
A manhã nasce, e com ela, a hora da batalha.
O sol da manhã invadia o galpão abandonado na Zona Portuária, cortando a penumbra com fachos de luz que iluminavam a poeira no ar.
A cena era de caos organizado: um grupo de ativistas se movia com propósito, preparando cartazes, carregando faixas e organizando suprimentos, bombas caseiras, madeiras com pregos e tijolos em vans velhas.
A atmosfera era carregada de uma eletricidade nervosa.
Em meio a toda essa atividade, Herika estava parada, imóvel.
Segurava um cartaz, mas seu olhar estava perdido no vazio.
A luz do sol da manhã iluminava seu rosto, mas sua expressão era de uma melancolia distante.
Ela não estava ali.
A memória voltou, em tons de sépia. Uma Herika adolescente e um JC adolescente, abraçados atrás de um muro de escola pichado.
Eles não estavam se beijando, apenas se olhando com uma intensidade e um carinho que definiam um primeiro amor.
Um momento perfeito e congelado no tempo.
De volta ao presente, um ativista jovem com um piercing na sobrancelha tocou o ombro de Herika com gentileza.
O toque a assustou, trazendo-a de volta à realidade com um sobressalto.
— Kika? Fala, Kika... tudo certo? Tu tá voando aí. Está na hora.
Herika piscou, desorientada por um segundo. Olhou para o rosto preocupado do amigo e depois para a agitação ao seu redor, como se acordasse de um sonho.
A voz de outra ativista a chamou de uma das vans.
— "Bora, Herika! A van já tá dando linha!
A transformação aconteceu em tempo real.
A vulnerabilidade e a melancolia se esvaíram de seus olhos, substituídas por um fogo determinado, uma dureza de aço.
A líder assumira o controle.
Herika estava de pé sobre um caixote, o punho erguido. Todos os ativistas pararam o que estavam fazendo e se viraram para ela, os rostos cheios de expectativa.
A postura dela era a de uma general antes da batalha.
(A voz forte e clara, um grito de comando)
"VAMOS BOTAR PRA QUEBRAR NO LABORATÓRIO DO GRUPO MAGNUS!"
O grupo explodiu em um grito de guerra uníssono. Era um som de esperança e desafio.
**"SIMMM! É NÓIS!****"
As portas do galpão estavam abertas.
A pequena caravana de vans e carros velhos saía para as ruas do Rio de Janeiro, um exército de Davids partindo para enfrentar seu Golias corporativo.
Página 27 - Repórter Exposta
A Repórter Exposta vs. A Fúria do Cientista
No laboratório principal do Dr. Marcos, Adriele mostrou um tablet para o doutor.
Na tela, uma foto profissional de Vanessa com a legenda "Vanessa Santos, Repórter da Rede News".
O rosto de Marcos se contorceu em uma fúria gelada.
(Gritando em fúria controlada, quase sibilando)
"REDE NEWS?! Essa praga da imprensa na minha pesquisa?! TRAGAM ESSA ANOMALIA AQUI! IMEDIATAMENTE! Quero saber o que ela contaminou!"
A porta da Contenção se abriu com um silvo. Vanessa, ainda em roupas íntimas, se encolheu com a luz súbita.
Dois seguranças enormes bloqueavam a saída.
Um deles jogou um jaleco branco e amarrotado no chão, aos pés dela.
(Com desprezo)
"Vambora, palhaça. Chega de showzinho. O Doutor tá te esperando. Anda logo."
Vanessa olhou para os seguranças com puro desprezo.
Com um movimento decidido, pegou o jaleco e o vestiu, sua expressão dura como pedra.
Ela não ia dar a eles o prazer de vê-la quebrada.
Após uma noite de poder e prazer, as preocupações do império voltam a assombrar...
Na suíte master da mansão Magnus, o sol da manhã entrava pelas janelas gigantes.
Magnus estava deitado na cama, acordado, olhando para o teto. Ao seu lado, Bibi dormia profundamente em meio a lençóis de seda.
A expressão dele era pensativa, revivendo uma conversa.
A memória voltou: Magnus em seu escritório em Brasília, ao telefone. Seu rosto tenso, impaciente.
(Voz tensa e implacável)
"Dr. Marcos, o soro está pronto? O Ministério da Saúde está impaciente com o cronograma! A exclusividade está em jogo!"
Dr. Marcos em seu laboratório, no outro lado da linha. Estressado, tentando se justificar.
(Voz de cientista pressionado)
"Senhor Mauro, tenho a equação sob controle. No entanto, para evitar variáveis de erro e manter a qualidade do resultado, eu exijo mais recursos e o prazo que a pesquisa demanda. Isso não é um remédio de farmácia, é um Protocolo Gênesis!"
A qualidade do resultado exige este dispêndio.
A voz de Magnus rosnando no telefone.
— Preciso dos resultados PARA ONTEM! Dê o seu jeito, Doutor. Não me venha com desculpas!"!
...e no mundo de Magnus, a pressão é sempre repassada para o próximo elo da corrente.
De volta ao presente, no corredor do laboratório, Vanessa, vestindo o jaleco que mal a cobria, era escoltada pelos dois seguranças.
Ela caminhava de cabeça erguida, desafiadora, em direção ao seu interrogatório.
Página 28 - Arrogância vs Verdade
Dr. Marcos vs. Vanessa (O Choque da Arrogância)
Laboratório Principal.
Onde a verdade não liberta; ela condena.
Vanessa estava de pé, no centro do laboratório principal.
O jaleco improvisado mal cobria suas roupas íntimas, mas sua postura era de puro desafio.
Na sua frente, o Dr. Marcos a encarava, os nós dos dedos brancos de raiva enquanto se apoiava em uma bancada de metal aonde estava a capsula do GENESIS.
Ao lado, sentada em cima de uma mesa, Adriele observava a cena com um interesse divertido e predatório.
O rosto do Dr. Marcos estava vermelho de raiva. Ele cuspiu as palavras, misturando sua fúria com um insulto para tentar diminuí-la.
Voz baixa e intensa, carregada de desprezo intelectual)
"Fascinante. Uma repórter de tabloide... uma falha de segurança sistêmica. Você é tão desqualificada para este ambiente que sua presença chega a ser um insulto lógico! Como você ousa poluir um laboratório de ciência aplicada com sua mediocridade?"
Vanessa não se encolheu.
Pelo contrário, abriu um sorriso arrogante e desafiador. Seus olhos faiscavam.
(Desafiadora, com o fogo da repórter investigativa)
"Se liga, Doutor. O trabalho de campo da repórter é esse: desvendar tudo sobre você, essa sua indústria podre, seu patrão safado e essa pesquisa sinistra. Eu não baixo a cabeça, eu vou botar o seu nome na primeira página! O furo é meu!"
Adriele soltou uma risada baixa, um ronronar de apreciação.
Deslizou da mesa, o corpo se movendo com uma graça felina.
Estava genuinamente entretida com a coragem de Vanessa.
(Com um ronronar de caçadora)
"Uhn... essa ratinha tem atitude. Eu gosto disso. Ela tem garra, Doutor."
Dr. Marcos lançou um olhar de advertência para Adriele. A voz dele era uma promessa contida de violência futura.
— Contenha-se, Adriele. Logo, logo você vai poder 'brincar' com ela. Não a danifique antes que eu tenha minhas respostas.
Os olhos azuis de Adriele brilharam com uma alegria sádica e infantil.
Ela olhou para o Dr. Marcos com total devoção.
— Sim, doutor — disse ela, sorrindo.
Página 29 - Multidão Rebelde
Em frente ao Laboratório Magnus. Onde a batalha pela alma da ciência começa com gritos e papelão.
Uma tomada ampla e caótica em frente ao imponente prédio dos "Laboratórios Magnus".
Uma multidão de ativistas, liderada por Herika, protestava com energia.
Os cartazes eram feitos à mão, cheios de paixão: "LIBERTEM OS ANIMAIS!", "TODA VIDA IMPORTA", "MAGNUS ASSASSINO", "DR. CRUZ MONSTRO".
— NÃO, NÃO, EXPERIÊNCIA NÃO! FORA MAGNUS!.
Herika não estava apenas protestando.
Estava incitando uma rebelião.
Seus olhos verdes queimavam com convicção.
(Gritando, sobrepondo-se ao coro)
"Chega de papo furado! VAMOS INVADIR! VAMOS INVADIR AGORA, GENTE!"
SKREEEEEEE!
Um ônibus fretado, com o logo da "Segurança Magnus", cantou pneus e parou bruscamente, bloqueando o portão principal.
As portas se abriram com um silvo pneumático.
PSSSHHHHHH!
Fernando desceu do ônibus, uma muralha humana.
Atrás dele, uma fileira de seguranças corpulentos e equipados começaram a desembarcar, formando uma linha de defesa.
A voz de Fernando era grave, calma, e cortava o barulho do protesto.
- A diretriz é clara: Acesso negado. AFASTAREM-SE!"
Herika encarou a linha de seguranças. Ela não parecia intimidada, mas sim energizada pelo desafio.
(Com um sorriso de escárnio)
"Mandaram reforço, é? Pensam que vamos dar para trás? Tão de brincadeira, né?"
ATIVISTA (AO LADO)
- Nós também, Kika! Chegou a nossa tropa!
Mais caminhões chegaram e despejaram centenas de novos manifestantes, que se juntaram ao grupo com gritos de guerra.
A força dos ativistas aumentou de tamanho consideravelmente.
Herika, no auge da euforia, subiu no capô de um carro.
Ergueu o punho, uma líder nata.
(Gritando, motivando a multidão)
"NOSSA HORA CHEGOU! VAMOS COM TUDO PRA CIMA DELES! VAMOS PARA A AÇÃO, LIBERDADE!"
Pagina 30 - A Guerra Silenciosa
A manhã, no Rio, rasgava a madrugada com um sol mentiroso, banhando a cena em um amarelo doentio. Não era um amanhecer de promessas, mas um preâmbulo para a carnificina, um grito surdo antes do silêncio ensurdecedor da violência.
Em uma panorâmica vasta e opressora, o asfalto, antes indiferente, fervilhava. De um lado, uma maré humana. Centenas de rostos, antes diluídos na indiferença, agora endurecidos pela fúria e pela convicção. Ativistas. Davids armados não com pedras lisas, mas com a selvageria de paus improvisados, a ponta bruta de barras de ferro enferrujadas, a promessa incendiária de bombas caseiras, a ponta de pregos enferrujados fincados em tábuas. Uma turba caótica, sim, mas com um propósito singular, uma fera de muitas cabeças uivando por justiça. E no epicentro dessa tempestade humana, Herika.
Ela não estava sobre um mero caminhão, mas sobre um púlpito de metal e rebelião. Seus cabelos, uma chama indomável sob o sol pálido, contrastavam com a pele marcada pela vigília e pela batalha iminente. O punho erguido, não como um gesto, mas como um totem, um farol para as almas em chamas abaixo dela. Seus olhos verdes, antes nublados pela melancolia, ardiam agora com uma intensidade febril, a promessa de uma revolução que se negava a ser silenciada.
Do outro lado, a Muralha de Aço. Em linha reta, fria e impessoal como uma guilhotina esperando sua vez, estavam os trinta Seguranças da Magnus Corp. Não eram homens, mas extensões de uma máquina de controle. Equipamentos táticos que pareciam fundidos à carne, coletes balísticos que absorveriam a fúria dos Davids, capacetes que ocultavam a humanidade por trás de visores inexpressivos, escudos que eram barreiras de aço contra a maré, cassetetes que eram extensões de sua vontade de esmagar, comunicadores que sussurravam ordens gélidas em seus ouvidos. Uma formação militar, quase robótica, uma barreira intransponível entre o caos e a ordem que eles representavam.
E à frente deles, Fernando. Não precisava de escudo, capacete ou colete. Sua própria presença era a armadura, o escudo definitivo. O terno, antes apenas um traje corporativo, agora parecia um sudário, uma mortalha de autoridade fria e impessoal. Os óculos escuros eram espelhos da indiferença, janelas para uma alma que não hesitava em seguir ordens, por mais brutais que fossem. Ele era a manifestação da vontade de Magnus, uma muralha solitária, imponente e inabalável.
O ar entre os dois lados estava pesado, carregado não de palavras, mas de uma eletricidade silenciosa, o prelúdio da colisão. O sol continuava sua ascensão indiferente, ignorando que, naquela manhã, a frente dos Laboratórios Magnus no Centro do Rio de Janeiro se tornaria um campo de batalha, onde a verdade seria esmagada ou libertada, onde o caos desafiaria a ordem, e onde a fúria encontraria a frieza. A primeira edição estava prestes a explodir.
